quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Tesourinhos do Absurdo Rodoviário (3)

Público
27 de Stembro 2007


Acam contra subida para 80km/h na Marechal Spínola


A Associação de Cidadãos Automobilizados (Acam) apelou em requerimento ao presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Paulo Marques, para a suspensão imediata da recente alteração do limite máximo de velocidade na Avenida Marechal Spínola, de 50km/h para 80km/h.
No texto do requerimento, a que o PÚBLICO teve acesso, esta associação expressa a sua indignação pelo facto de a ANSR ter autorizado, a pedido da Câmara Municipal de Lisboa (CML), o recalibramento dos radares colocados naquela via (vulgarmente conhecida como o prolongamento da Avenida dos EUA), sem que tenham sido disponibilizados ao público "os eventuais estudos técnicos que terão fundamentado" essa mudança.
"Esta decisão deixa-nos perplexos", lê-se no comunicado da Acam, na medida em que, antes da alteração do limite de velocidade, "a CML não tomou quaisquer medidas de salvaguarda dos peões que pretendem ir de Chelas ao Feira Nova". A associação reclama o facto de não ter sido colocado qualquer aviso, passagem aérea ou alternativa de circulação pedonal, e "em plena semana da mobilidade". A Acam alega que desde que os radares foram colocados na Marechal Spínola a sinistralidade grave baixou 78 por cento, dados que Rui Zink, membro daquela associação, garantiu, em conversa com o PÚBLICO, serem oficiais.
Para a Acam, estes são "números que comprovam que os radares podem chatear um bocadinho, mas salvam vidas" e, para além disso, diz ainda, "ninguém morre de chatice".
Por outro lado, a associação diz saber que a Marechal Spínola, assim como outras vias rápidas de Lisboa, "foram concebidas de raiz para que os automóveis circulem a 80km/h e não a 50km/h", mas lembra também que os terrenos em que se situam estão a ser urbanizados, com casas, escolas e hospitais. Uma das questões que a Acam coloca é o porquê da "celeridade em aumentar velocidades em vias que foram evidentemente concebidas para uma velocidade máxima de 80km, se há anos as muitas ruas de Lisboa que foram concebidas para uma circulação não superior a 30km/h não baixam o limite de velocidade de 50km". A associação considera, por isso, "essencial que a ANSR disponibilize ao público a fundamentação técnica que levou este organismo a autorizar" esta alteração.

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A posição da ACAM é inqualificável. Quem é que esta Associação realmente representa quando toma posições claramente contrárias à generalidade dos cidadãos ?

6 comentários:

João Gonçalves disse...

Quem precisa de circular a 30 km/h para ter controle sobre o automovel deve ser impedido de conduzir.
Tem seguramente uma deficiência qualquer.

eduardo disse...

ACAM = Associação dos Caracóis Assustados com o Movimento

Rui disse...

Os senhores têm razão, claro. Os carros deviam ter como limite mínimo de velocidade os 80. Mesmo estacionados. Porque não propoem já subir para 50 Km/h a circulação em bairros residenciais?

Anónimo disse...

senhor Rui Zink,

um amigo disse-me que o senhor nem sequer tem carta de condução.
Isso não é crime, claro.
Mas a ser verdade acho extraordinário que se considere competente para opinar sobre a adequação das velocidades.

Anónimo disse...

Não se trata de competência mas de direito de opinião. Ou acha que os supostamente signatários da petição têm formação em segurança rodoviária?

A diferença é que a opinião do Rui Zink e da ACA-M é suportada por todos os estudos de segurança rodoviária realizados nas últimas décadas por pessoas, essas sim, competentes na matéria.

Victor

em Portugal disse...

Não é verdade, de todo, que a posição da ACAM sobre as velocidades seja suportada por todos os estudos de segurança rodoviária. Aliás, pode mesmo dizer-se que NENHUM estudo suporta as posições fundamentalistas da ACAM, nem o seu discurso terrorista da famosa "guerra civil" que mais parece o palavreado de Bush para justificar a intervenção no Iraque!

Os estudos recentes, e de países evoluídos, apontam até na direcção contrária, indicando as baixas velocidades e os baixos diferenciais de velocidade entre veículos como factores GRAVES e DIRECTOS na causa de acidentes. Veja-se os estudos realizados recentemente em alguns países nórdicos, ou o recente aumento da velocidade máxima permitida nas auto-estradas Italianas... enfim, a minha vida não é isto (ao contrário do pessoal responsável pela ACAM), mas já passei os olhos por inúmeras referências e casos práticos, até estudos localizados em pequenos troços de estrada onde por períodos de teste se removeu simplesmente todos os limites (isto realizado nos EUA) e que permitiu constatar que sem qualquer limite de velocidade os condutores adoptavam imediatamente uma postura mais responsável cujo resultado directo foi a redução do número de sinistros... e isto não foi na Alemanha...

Tenham lá calminha com os estudo...