sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Contra a Legislação Absurda - Movimento dos Automobilistas Responsáveis (CLA-MAR)




Quando lancei a petição on-line contra o limite de 50 km/h nas "vias-rápidas" de Lisboa não sabia que viria a obter mais de 10.000 adesões mas estava certo de que muita gente partilhava a minha indignação. Estava cansado de ver tratar a generalidade dos cidadãos automobilistas como irresponsáveis ou mesmo como homicidas.

Em Portugal, ao contrário de Espanha por exemplo, as entidades públicas não têm estudado de forma séria as causas dos acidentes. É por causa desse "descuido" que optam por afunilar quase toda a "prevenção" nas limitações da velocidade. Ainda recentemente surgiram notícias sobre os planos faraónicos para instalar mais 300 radares nas estradas portuguesas.

Como as limitações da velocidade são abstractas e rígidas estão quase sempre desadequadas às situações da vida real e, por isso, como que fomentam a desobediência em massa que podemos observar todos os dias. Quantos automóveis conseguem em Lisboa, durante um dia, circular sempre a menos de 50 e quantos vão de Lisboa ao Algarve sempre abaixo dos 120 ?

É nessa desobediência aos limites legais de velocidade, que não significa por si só a criação de perigo, que os fundamentalistas da "guerra civil nas estradas" se apoiam para insinuar a irresponsabilidade dos cidadãos.

Quem anda nas estradas sabe que não é assim. Os comportamentos irresponsáveis são excepções e aqueles que os praticam de forma sistemática uma minoria insignificante.

As autoridades rodoviárias deviam persegui-los com rigor concentrando-se nos riscos reais em vez da desobediência formal a regras inadequadas. A sinistralidade não pode, em rigor, ser atribuída aos milhares de multados por circular a 65 em vez de 50, nas vias-rápidas da cidade, nem aos milhões que circulam a 150 em vez de 120 nas auto-estradas.

Em Espanha já concluiram, estudados os acidentes de 2006, que a velocidade só foi factor relevante em 24 % dos acidentes enquanto as distracções, por exemplo, foram determinantes em 37% dos casos estudados. Porque é que em Portugal continuamos com a monomania das reduções de velocidade fazendo de conta que isso não tem um preço social quer no plano económico, quer mesmo em vidas humanas ?

Quando fui convidado para a Comissão que, na CML, vai estudar os efeitos dos radares de Lisboa, e a sua eventual alteração, aceitei porque entendi que a perspectiva do cidadão comum faz falta nessa discussão.
Estou receptivo às sugestões e propostas que os leitores queiram fazer.

19 comentários:

Anónimo disse...

Automobilistas que circulam a 150 em vez de 120 nas auto-estradas - responsáveis!?

F. Penim Redondo disse...

Como a sua preocupação é o aquecimento global façamos um exercício.

Imaginemos que 10.000 pessoas percorrem todos os dias o percurso de 300 kms entre Lisboa e o Porto em auto-estrada (penso que serão mais).
Se compararmos a velocidade média de 120 km/h com 150 constatamos que a diferença na duração da viagem é de 30 minutos.

Para cada pessoa parece ser suportável mas para o conjunto das pessoas, ao longo de um ano, corresponde a desperdiçar 114.000 dias homem. Apenas nesta auto-estrada. O exercício podia ser estendido a toda a rede.

Será que o anónimo tem dados sobre as consequências desse desperdício para o aquecimento global e para outras formas de fazer perigar o futuro da humanidade ?

Andar mais devagar também tem um preço que é preciso comparar com o preço de andar mais depressa para encontrar o ponto de equilíbrio mais vantajoso.

De outra forma estamos no domínio da superstição...

Anónimo disse...

hahahahahahah.... Este Penim é um malabarista!

Sugiro que vá a 200 km/h para o Porto para poupar o planeta dos preciosos minutos que não desperdiça. Mas avise o pessoal primeiro.

200?! Talvez seja melhor 300! Quem sabe se inventou uma nova forma de combater o aquecimento global!

Eu diria mais...

João disse...

Em primeiro lugar quero dar os parabéns ao autor deste blog.
Não pelas iniciativas, mas pelo enorme feito de ter tornado um perfeito disparate um facto mediático, estando o assunto a ser discutido pela CML entre outros.
O facto dde não fazer a mínima ideia das implicações da velocidade nomeadamente no que respeita a algumas "vias rápidas" de Lisboa como a Av Infante D. Henrique que é uma vias com maior sinistralidade pedonal de Lisboa e em que um aumento de velocidade significaria legalizar a matança de peões.
Por outro lado a referências au relatório de Espanha são elucidativas. Nos paises ocidentais e também, estou certo, em Portugal, as distrações são a principal causa de acidente. Concretamente em Portugal, não estou preocupado com quem se distraiu e estragou o seu carrrinho. Estou preocupado é como os acidentes mortais dos pais que perderam os filhos e dos filhos que perderam os pais, mas mais grave ainda aqueles que ficaram gravemente feridos paraplégicos ou tetraplégicos. E ai sim a velocidade é um factor crucial. Porque, por exemplo, passar de 50 para 80 km/h siginifica mais 60% da velocidade, mas 120 % da energia, ou seja em caso de acidente um impacto 120% mais violento ou distâncias de travagem 120% mais longas, mas entre 180 e 240% a probailidade de lesões graves e fatais. Mas por exemplo num atropelamento significa passar de cerca de 50% de probabilidade de sobreviver para ZERO %.
Ora será que os supostos 10000 "peticionistas" concordam com isto. Ou será que como muitos mais pensam que os acidentes só aconteçem aos outros ? !

Maria Dolores disse...

O João ou está de má fé ou é um imbecil que ainda acredita na história da carochinha.

Na Av. Infante D. Henrique só morreu uma pessoa por acidente rodoviário durante o ano de 2006.
Não era peão, tratou-se de uma colisão frontal de acordo com o Relatório da DGV.

É essa Avenida que o João considera "uma vias com maior sinistralidade pedonal de Lisboa".

Não se sabe se a causa desse único acidente foi a velocidade e a quantos quilometros do radar da CML tal acidente ocorreu.

Assim se vê a seriedade da argumentação destes fanáticos...

Anónimo disse...

Esta coisa dos radares, da velocidade e tal está é a tornar-se um ganda negócio...

Anónimo disse...

"que é uma vias com maior sinistralidade pedonal de Lisboa e em que um aumento de velocidade significaria legalizar a matança de peões"

AHEEAHEAHEAHEAHEHHEAEHEAHEHAHEAHEHE oh joãozinho, mande mais, que isto precisa é de humor de qualidade! EHAAHEHAEHAEHEAHAEHHEAHAEHAEHAEHAEEH

Não só mente escandalosamente nos factos (nessa via praticamente não houve problemas com peões), como pretende atribuir, assim de uma assentada, todas as responsabilidades aos automobilistas, e à velocidade que praticam.

Hilariante! EAHAEHHAHEAEAHEAHAEHEHAHAE

Teixeira Campos disse...

Meus grandes abeculas... qualquer pessoa de bom senso sabe que sinistralidade numa só via, principalmente número de mortos, não pode ser avaliada com valores para um único ano. Só palermas ou fanáticos se podem divertir com estas coisas.

Anónimo disse...

tens razão, oh teixeira, isto era pergosíssimo nos tempos do D. Afonso Henriques...

Cájó disse...

Já é tempo de as pessoas se organizarem contra estes abusos...

João disse...

Cara Maria Dolores

Felizmente a imbecilidade é uma coisa demonstrável. De 2004 a 2006 ocorreram em média por ano: 1 morto, 4 feridos graves e 10 feridos ligeiros na Av. Infante Henrique. Mas de facto em 2006 não existiu nenhuma vítima mortal, mas e os feridos graves. Será que já alguma vez viu um ferido grave de um atropelamento. Será que, alguma vez viu, as consequências de um atropelamento mortal devido à velocidade na Av. Infante D. Henrique.
A Av. Infante D. Henrique é uma das vias com maior sinistralidade pedonal em Lisboa. Confirme no tal relatório da DGV.
E se para si as 3 vítimas mortais (no local), os 14 feridos graves e os 32 feridos ligeiros não têm importância, para mim têm E MUITA !
E já agora diga-me lá qual de nós é o imbecil !

Em relação ao anónimo, pode ser que um dia seja você ou um familiar seu a ser colhido na Av. Infante D. Henrique a cerca de 120 km/h como aconteceu com um dos atropelamentos mortais de 2005. Espero que depois se ria muito !

E já agora porque este blog é mesmo muito interessante, alguém sabe de que forma variam os consumos de um automóvel em função da velocidade e consequentemente as emissões de poluentes, nomeadamente CO2 ?
É que é a primeira vez que ouço falar que aumentado a velocidade reduz-se o problema do aquecimento global. Sinceramento ficou curioso e invejoso, porque provavelmente existe aqui alguém que já tenha carros como motores a pilha de combustível ou com reactores de fusão nuclear

Pedro Santos disse...

O Penim precisa de fazer uma assessoria à Universidade de Aveiro que pelos vistos tb foi tomada por fanáticos (segundo definição deste blog: todos os que não se convencem com as teorias mirabolantes do Penim):


Ambiente
19-10-2007 10:30

Menos velocidade na auto-estrada ajuda a diminuir poluição

A Universidade de Aveiro (UA) propôs a redução, para 80 km/hora, do limite
máximo de velocidade nalgumas auto-estradas, como uma das medidas para
reduzir a poluição do ar.

A medida consta do estudo sobre o Plano de Melhoria da Qualidade do Ar da
Região Norte 2001-2004, apresentado ontem na Comissão de Coordenação e
Desenvolvimento da Região Norte (CCDRN) por Carlos Borrego, da UA.

A equipa da Universidade propõe que a redução dos limites de velocidade seja
implementada em oito concelhos da Área Metropolitana do Porto: Matosinhos,
Porto, Maia, Vila do Conde, Santa Maria da Feira, S. João da Madeira, Gaia e
Espinho.

O ex-ministro do Ambiente advertiu que a redução da velocidade só fará
sentido nalgumas auto-estradas e se acompanhada da implementação das outras
dezenas de medidas propostas.

Carlos Borrego salientou que, entre 2001 e 2004, o litoral Norte ultrapassou
sistematicamente os limites de PM10 e de ozono, o que obriga à adopção de
medidas para a redução destes níveis de poluição do ar.

O investigador afirmou que, em 2004, só 18% da poluição atmosférica no Norte
teve origem em episódios naturais, nomeadamente incêndios florestais e
areias provenientes do deserto do Sahara.

Antes da apresentação do estudo, o presidente da CCDRN, Carlos Lage, alertou
a assistência para o impacto que o anúncio da medida teria na população,
reconhecendo, contudo, as vantagens da redução do limite de velocidade
nalgumas auto-estradas.

Na exposição, Carlos Borrego destacou o impacto positivo que teve a
introdução do Metro do Porto (movido a electricidade) e a substituição do
gasóleo por gás natural, na maioria dos autocarros da Sociedade de
Transportes Colectivos do Porto (STCP), mas salientou que estas medidas são
"insuficientes".

F. Penim Redondo disse...

Gostava de conhecer os estudos feitos para saber quais as consequências da redução da velocidade.
Não basta contabilizar os efeitos positivos.
Isso são "contas de merceeiro"...

Pedro Santos disse...

Atenção, atenção Penim a Comissão Europeia tb foi tomada pelos "fanáticos" que obviamente tb dão ouvidos aos "manipuladores fanáticos" que querem coarctar a liberdade do povo:

"Em 2005, morreram nas estradas da UE 41 600 pessoas. Está ainda muito longe o objectivo comum de 25 000 acidentes mortais por ano até 2010. Cerca de dois terços dos acidentes rodoviários e um terço dos acidentes mortais ocorrem em zonas urbanas e afectam os utentes da estrada mais vulneráveis. O risco de morrer num acidente de viação é seis vezes maior para os ciclistas e os peões do que para os automobilistas. As vítimas são frequentemente mulheres, crianças e idosos.

(...)

As partes interessadas sugeriram que a UE apoiasse actividades de vulgarização de dispositivos de controlo activo nas vilas e cidades para todos os utentes da estrada."

LIVRO VERDE
Por uma nova cultura de mobilidade urbana, Bruxelas, 25.9.2007
COM(2007) 551 final

Estão todos feitos...

Anónimo disse...

Por acaso o fanatismo, como qualquer outro negócio, até pode funcionar em franchising...

João disse...

E para quem acha que a velocidade na Av. Infante D. Henrique não é um problema, podem sempre tentar convencer esta vítima MORTAL

http://dn.sapo.pt/2007/10/21/cidades/motociclista_morre_av_infante_d_henr.html

Inês disse...

Comentário ao post: "Os comportamentos irresponsáveis são excepções e aqueles que os praticam de forma sistemática uma minoria insignificante." - Quê?!?! discordo plenamente! Todos os dias vejo constantes irresponsabilidades nas estradas. As pessoas transformam-se inteiramente ao volante... tornam-se verdadeiros animais! basta estar de olhos abertos!!! O CIVISMO NAS ESTRADAS PORTUGUESAS É A EXCEPÇÃO!!!

comentário a F. Penim redondo: Está preocupado com o aquecimento global? Então vá de comboio!!! E se acha que as contas feitas pela Universidade de Aveiro são de merceeiro, as feitas por si são de ignorante. Pelos seus comentários, estou a ver que é uma daquelas pessoas que não devia ter carta de condução, já que deve ser um perigo na estrada, um perigo para si e, sobretudo e bem mais importante, um perigo para os outros. Vê-se claramente que o motivo "aquecimento global" do qual faz recurso serve apenas para se defender... é pena haver quem pense assim...

Anónimo disse...

Que há muita irresponsabilidade nas estradas...há, mas a culpa não é só da velocidade...e o álcool? As drogas? O sono? e os que andam a menos de 50km/h e mesmo assim provocam acidentes? Sim, não é só a velocidade a culpada nem somos todos uns irresponsáveis. Eu não sou contra os radares mas apenas contra os limites impostos em determinadas vias, que pelas caracteristicas se enquadram legalmente como via rápida e onde 50km/h é um absurdo. Sejamos realistas - isto surgiu porquê/quando? Porque e quando alguém resolveu esvaizar os cofres câmara de Lisboa e agora os "ursos" de sempre é que pagam - todos nós. Já não chega os impostos que pagamos? E os carros dos srs. politicos? Não cumprem os limites... Isto é a caça à multa pura e dura, há que fazer dinheiro para os cofres da câmara até porque o Socrátes já fechou a "torneira". Se a câmra estivesse de boa fé, se estão em estudo possiveis alterações dos limites em algumas vias, então desliguem esses radares, até haver uma decisão séria e responsável. Por fim, pergunto apenas - nos radares cujos limites sejam alterados e nos quais muita gente já foi autuada e pagou as multas - vão ser ressarcidas? Deveriam, com juros e um pedido de desculpas a todos os lisboetas.

Anónimo disse...

Que há muita irresponsabilidade nas estradas...há, mas a culpa não é só da velocidade...e o álcool? As drogas? O sono? e os que andam a menos de 50km/h e mesmo assim provocam acidentes? Sim, não é só a velocidade a culpada nem somos todos uns irresponsáveis. Eu não sou contra os radares mas apenas contra os limites impostos em determinadas vias, que pelas caracteristicas se enquadram legalmente como via rápida e onde 50km/h é um absurdo. Sejamos realistas - isto surgiu porquê/quando? Porque e quando alguém resolveu esvaizar os cofres câmara de Lisboa e agora os "ursos" de sempre é que pagam - todos nós. Já não chega os impostos que pagamos? E os carros dos srs. politicos? Não cumprem os limites... Isto é a caça à multa pura e dura, há que fazer dinheiro para os cofres da câmara até porque o Socrátes já fechou a "torneira". Se a câmra estivesse de boa fé, se estão em estudo possiveis alterações dos limites em algumas vias, então desliguem esses radares, até haver uma decisão séria e responsável. Por fim, pergunto apenas - nos radares cujos limites sejam alterados e nos quais muita gente já foi autuada e pagou as multas - vão ser ressarcidas? Deveriam, com juros e um pedido de desculpas a todos os lisboetas.