sábado, 15 de setembro de 2007

Radares em avaliação

Expresso
15 de Setembro 2007

Radares em avaliação


O presidente da Câmara de Lisboa, António Costa, quer acabar com a polémica sobre os radares de controlo de velocidade e melhorar a eficácia destes equipamentos. ‘‘Para já não vai haver alterações nem de velocidade, nem de localização, mas tudo está em aberto’’, garante o vice-presidente, Marcos Perestrello, responsável pela Mobilidade. Na quinta-feira, assinou o despacho de nomeação de um grupo de peritos para avaliar o desempenho dos dois meses de funcionamento dos radares e propor, num prazo de 30 a 60 dias, soluções que permitam introduzir melhorias no sistema.
A designada Comissão de Avaliação do Sistema de Controlo e Vigilância do Tráfego em Lisboa junta figuras como Fernando Penim Redondo e Carlos Barbosa (ACP), que têm defendido o aumento de velocidade em algumas vias com radar, a representantes da PSP e da Polícia Municipal, o presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), o próprio vice-presidente da Câmara e Manuel João Ramos, vereador e dirigente da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados.
‘‘Entendemos que a segurança rodoviária não se pode fazer contra as pessoas e é importante produzir consensos e encontrar soluções pacificadoras sobre matérias tão importantes como esta’’, disse ao Expresso Marcos Perestrello. Segundo este autarca, o que vai estar em análise pelo grupo de trabalho é o impacto dos radares ‘‘na redução de velocidade e na sinistralidade’’. ‘‘Quando o relatório estiver pronto analisaremos as conclusões a aplicar’’, promete.
Menos acidentes graves
Uma análise feita pelo Expresso, com base em dados oficiais da ANSR, mostra que, mesmo sem estarem ainda a multar, os 21 radares colocados em Lisboa podem ter contribuído para uma redução brutal dos acidentes mais graves nestas vias.
Comparando o primeiro semestre deste ano, quando os radares começaram a ser ligados, com igual período de 2006, verificou-se uma redução de 37 feridos graves para oito (menos 78%). Este ano houve um morto, enquanto no ano passado houve quatro nestas artérias. Embora menos significativa, mas presente, também nos feridos leves se registou descida: 198 contra 233, em 2006 (menos 15%).
Manuel João Ramos não vê outra justificação que não seja a presença ‘‘dissuasora, mesmo sem multar’’ dos radares. ‘‘Se não houve beneficiação das vias e se não houve mais fiscalização (pelo contrário, até diminuiu) o único elemento novo foram os radares. Funcionaram como uma espécie de aviso às pessoas’’.
A redução do número de acidentes graves nestas vias contribuiu para a diminuição global das vítimas rodoviárias em Lisboa: mortos e feridos graves reduzidos a metade (10 para 5 e 148 para 77, respectivamente).
A Divisão de Trânsito (DT) de Lisboa está a fazer, desde 2006, um estudo sobre os locais e causas dos acidentes na cidade. As vias dos radares merecem especial atenção no trabalho dos oficiais da DT. Contactada pelo Expresso, a Direcção Nacional da PSP não autorizou que a DT adiantasse informações.

4 comentários:

F. Penim Redondo disse...

A afirmação feita neste artigo de que os radares de Lisboa "podem ter contribuído para uma redução brutal dos acidentes mais graves nestas vias" sugere-me os seguintes comentários:

1.Não é conclusiva a comparação dos números de 2006 e 2007 já que os radares cobrem pequenas extensões das vias referidas.
Só seriam válidas as comparações para acidentes registados nos locais onde os radares se encontram.

2. Os números são tão pequenos, especialmente o dos mortos, que não permitem qualquer conclusão estatística sobre tendências.

3. Seria necessário demonstrar que os acidentes que originaram os numeros comparados tinham tido como causa o excesso de velocidade.

4. Seria necessário demonstrar que entre 2006 e 2007 não se verificaram outras diferenças significativas como, por exemplo, na meteorologia pois de outra forma podemos estar a atribuir aos radares consequências que tiveram outras causas.

Em suma, há que ser muito cuidadoso neste tipo de comparações e de pretensas conclusões.

Direct Current disse...

O que o artigo do Expresso afirma, sinto-o quando circulo por Lisboa. É verdade, houve uma redução brutal e o clima de trânsito caótico quase que desapareceu (bolas, nunca me senti tão seguro a conduzir em hora de ponta!!!). A malta já não acelera tanto e contém-se. E até deixam passar os peões na passadeira, vocês acreditam nisto?!? Só visto, até parece que Lisboa é uma cidade amiga dos peões.

A conclusão é óbvia, e é claro que o F. nunca o irá admitir, por mais voltas que dê. Só por terem poupado 5 vidas e centenas de feridos, o custo dos radares já valeu a pena. Mais radares, e a <40 km/h para o Terreiro do Paço, Docas, zonas residenciais e de escolas, JÁ!

Jaime Dias disse...

O Sr. Penim tenta tapar o sol com a peneira. Senão, vejamos:

1. Só quem não observa ou lê estudos sobre o efeito de rede dos radares, pensa que eles só têm um efeito em 100 metros, como ele já afirmou. Quem conduz em Lisboa pode confirmar o que afirma o Direct Current - houve de facto uma acalmia de velocidade geral, mas ainda não suficiente.

2. De facto concordo que o número de mortes não permitem ainda conclusões para um séptico - se bem que existem modelos que atravéz da redução da velocidade média nas vias, podem prever com facilidade quantas vidas serão salvas nessas mesmas vias. Mas acho que perante estes dados, até o Penim concordará que vale a pena esperar mais um ano. Tenho a certeza que o Penim, por honestidade intelectual, apresentará, ao fim de um ano, as suas desculpas pelo disparate das suas "teorias".

3. Mas é claro que não, porque ele ao apresentar todas estas razões, já dá para prever que não será convencido - estaremos sempre no domínio do "sim, mas..". Saiba que a redução do número de acidentes está comprovadamente relacionado com a velocidade média da via.

4. É de facto um problema metrológico... mentes enevoadas... Se ainda pode afirmar que o número de mortos não tem ainda significado estatístico, o Penim sabe que não pode fazer o mesmo em relação ao número de feridos.

Jaime Dias

Anónimo disse...

O Jaime Dias tem razão, esta acalmia ainda não é suficiente.

Hoje circulava a 50 à hora, numa zona dos radares, e fui subitamente ultrapassado por um funeral, com carreta e tudo...