Mostrar mensagens com a etiqueta Causas de morte em Portugal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Causas de morte em Portugal. Mostrar todas as mensagens

sábado, 23 de maio de 2009

Obesidade: 9000 pessoas morreram desde 2004 à espera de tratamento

.

Mais de nove mil pessoas morreram em Portugal desde 2004 com problemas relacionados com a obesidade enquanto aguardavam consulta ou tratamento, assegura a Associação de Obesos e Ex-obesos de Portugal (ADEXO).
Público, 21.05.2009
_____________________

De acordo com os números apresentados a obesidade mata mais do que os acidentes rodoviários. É mais uma causa de morte cuja gravidade não é reflectida pela comunicação social, pelo menos com o espalhafato normalmente usado no tratamento dos acidentes de viação.
.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A gripe mata muito mais do que os acidentes

.

A mortalidade em Portugal aumentou, nas últimas semanas de 2008 e nas primeiras seis semanas de 2009, devido à gripe.
De acordo com dados do sistema de Vigilância Diária da Mortalidade (VDM) do Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), a epidemia causou entre 1200 e 1500 mortes no último Inverno.

«De acordo com estimativas preliminares, a actividade gripal registada em Portugal nas últimas semanas de 2008 e nas primeiras seis semanas de 2009 provocou, à semelhança de outros períodos de forte actividade gripal registados no passado, um aumento da mortalidade», pode ler-se no site do INSA.

_____________________

Constata-se portanto que a gripe mata muito mais do que os acidentes de viação (1200 mortos só no Inverno enquanto os acidentes causam menos de 800 mortos durante um ano inteiro). No entanto são as "prevenções rodoviárias" que consomem mais recursos e as consequências dos acidentes são exagerados por forma a manipular a opinião pública.
.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

De maca como na estrada

.

Numa fiscalização realizada em 67 hospitais do Serviço Nacional de Saúde, a Inspecção-Geral da Saúde detectou que, nos últimos dois anos, a maioria dos acidentes relacionados com a queda de doentes de macas ou de camas ocorreu na zona de internamento. Uma das principais causas é a falta de grades nas camas. O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Pedro Lopes, defende a adopção de medidas urgentes.

Em apenas 25 meses, os hospitais portugueses registaram 4.200 acidentes relacionados com a queda de doentes de macas ou de camas. Os dados são relativos aos anos 2006, 2007 e a Janeiro de 2008 e constam de um relatório da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), que está já nas mãos da ministra da Saúde, Ana Jorge.
Em 85 daquelas situações, os doentes acabaram por falecer, embora não tenha sido demonstrado "em todos os casos, o nexo causal entre o acidente e a morte". Em 29 casos, foram originados processos de natureza disciplinar.
Pedro Lopes, da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, disse que o número de quedas é significativo, admitindo que tem de se "tomar medidas para tornar os hospitais mais seguros".
Os dados fazem parte do relatório "Acidentes com macas e camas nos estabelecimentos hospitalares, envolvendo queda de doentes", da IGAS.
Tribuna Médica, 02.02.2009 (ver o resto do artigo)


___________________


É caso para dizer que se corre quase tantos riscos nos hospitais como nas estradas.
Que tal uma campanha para comprar grades para as camas com o slogan "Vamos travar este drama"?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Mortos de segunda

.



Público
13.01.2009


Só entre o primeiro dia do ano e sábado morreram nove pessoas em 350 incêndios em habitações. É mais de um terço das mortes em incêndios deste tipo registados ao longo de 2008 (25), de acordo com os dados fornecidos pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC).
As notícias publicadas na imprensa apontam o dedo, com alguma frequência, ao uso indevido de lareiras e outros sistemas de aquecimento. Ontem, um homem de 79 anos morreu em sua casa, na freguesia da Madalena, em Vila Nova de Gaia. Foi vítima de um fogo que, desconfia Manuel Rosa, chefe de segunda classe dos bombeiros sapadores, pode ter tido origem num cobertor eléctrico.
Na semana passada, quatro pessoas também morreram num incêndio num edifício junto à Torre dos Clérigos. Entre as vítimas estavam duas crianças. Uma fonte dos bombeiros chegou a afirmar que a origem da tragédia poderá ter estado num radiador de aquecimento.

_____________________________

Se esta sucessão de mortes tivesse acontecido na estrada a repercussão na comunicação social seria enorme e já teria vindo a ACAM gritar a sua "guerra civil". Estes que morrem em casa são mortos de segunda e não merecem investimentos públicos do tipo "Estamos a travar este drama".
Já tinhamos dito aqui que há muito mais acidentes em casa do que nas estradas.
.

domingo, 26 de outubro de 2008

Erros de medicação causam 7.000 mortos anuais em Portugal

Público
26.10.2008


A administração errada de medicamentos aos doentes hospitalizados é responsável pela morte anual de 7.000 portugueses, mas apesar de serem evitáveis, "estes erros existirão sempre e sem culpados", graças a um "sistema que falha", disse à Lusa a presidente da Associação Portuguesa dos Farmacêuticos Hospitalares.

Aida Batista, presidente da APAH, reconheceu que o erro de medicação nos hospitais "existe e vai sempre existir". "Não se trata de um erro humano, mas sim do sistema [que falha]", esclareceu, lamentando que muitos destes erros sejam escondidos, por receio dos profissionais serem acusados.

É ao próprio sistema que o erro é atribuído, pois "apesar de os profissionais trabalharem com o maior cuidado, pode existir uma falha", disse.

De acordo com Aida Batista, o erro pode acontecer pelas mais variadas situações, desde que o médico prescreve o medicamento (por letra ilegível ou por confusão na dose), à farmácia que o distribui (confundindo as embalagens, por exemplo), ou o enfermeiro que o dá ao doente (que pode ser o doente errado).

"Os erros podem acontecer em qualquer destas fases do processo", disse a presidente da APFH, que há anos se preocupa com esta questão.

Este erro é responsável por 7.000 mortos em Portugal, segundo dados confirmados pela autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed).

Os casos não são exclusivos em Portugal. Nos Estados Unidos, por exemplo, entre 44 mil a 98 mil doentes hospitalizados morrem anualmente devido ao erro de medicação.

Aida Batista considera que só quando os hospitais estiverem ligados a um sistema centralizado e igual para todas as instituições é que o erro poderá diminuir.

A presidente da APFH lamenta que não haja em Portugal uma cultura de segurança, razão que, na sua opinião, leva a que os programas de segurança se limitem muito à farmácia do hospital.

"Todos os profissionais de saúde estão envolvidos no fornecimento de medicamentos: o médico, porque prescreve, a farmácia, porque dispensa e o enfermeiro, porque administra o fármaco", pormenorizou. "Todos são humanos e, por isso, todos podem errar, mas neste caso é o sistema que falha", concluiu.

_______________________

Estes erros matam dez vezes mais do que os acidentes de viação mas obtêm dez vezes menos atenção dos jornais e televisões. Os dinheiros gastos na prevenção dos acidentes teriam aqui um retorno em vidas muito maior.
.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Os acidentes na estrada e os erros nos hospitais

.

"Um doente internado num hospital recebe o medicamento errado, investigado o incidente descobre-se que houve troca de fármacos porque há duas marcas com rótulos muito parecidos que causaram confusão. Relatado o problema segue um alerta para todos os serviços do hospital. Os efeitos adversos dos medicamentos, as quedas de doentes e as infecções contraídas em hospitais são as três áreas onde se verificam mais erros clínicos no mundo.
...
Num workshop da DGS sobre qualidade clínica, que decorreu na semana passada, em Lisboa, chegou-se à conclusão de que receber cuidados de saúde é tão perigoso como actividades tão radicais como escalar montanhas ou fazer bungee jumping e bastante menos seguro do que conduzir um carro, constatam estudos internacionais.
Dados internacionais sobre mortes acidentais apontam para 98 mil mortes atribuíveis a erros clínicos e bastante menos, 41 mil, devidas a acidentes de automóvel. Em Portugal não há números."


__________________________


Este é um trecho do artigo publicado no Público de 07.07.2008, intitulado "Ministério quer notificação de erros clínicos em todos hospitais".


Já tínhamos referido esta questão neste blogue (aqui). O que é lamentavel é que os fundamentalistas do trânsito e os vendedores de radares, explorando a espectacularidade mediática dos acidentes, obtenham muito mais atenção dos responsáveis políticos.




sábado, 21 de junho de 2008

Estudo diz que número de mortes aumenta 60 por cento em hospitais sem ar condicionado

.

O número de mortes aumenta 60 por cento em hospitais sem ar condicionado, revela um estudo a 41 unidades do Serviço Nacional de Saúde, encomendado pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, noticia hoje o “Correio da Manhã”.

Os doentes mais afectados são as pessoas com mais de 65 anos e os serviços de Medicina Geral.

O estudo analisou a mortalidade ocorrida durante as ondas de calor do Verão de 2003 – que causaram a morte a 1953 pessoas no país - e concluiu que “uma climatização inexistente ou deficiente resulta num expressivo excesso da mortalidade”, cita o jornal.

Mas os óbitos não são causados pela desidratação ou pelo golpe de calor. “O efeito das temperaturas exerce-se sobre um grande número de patologias. Quem estava internado por AVC poderá ter tido outro”, explicou ao “Correio da Manhã” Marinho Falcão, um dos responsáveis pelo estudo.

A Direcção Geral de Saúde não tem dados nacionais sobre a climatização dos hospitais, medida recomendada desde 2003.

_________________________

Este problema levantado no Público de 21 de Junho pode levar-nos a pensar se o dinheiro gasto em radares não pouparia muito mais vidas se fosse utilizado na instalação de ar condicionado nos hospitiais. A onda de calor causou, em 2003, 1953 mortes. Na estrada morreram, em 2006, 850 pessoas. É fácil comparar...

domingo, 6 de abril de 2008

Oito em cada dez acidentes são em casa

Público 05.04.2008


Quatro pessoas morrem diariamente em Portugal vítimas de acidentes domésticos e de lazer, que obrigam ao tratamento hospitalar de 1665 portugueses por dia, segundo um estudo promovido pela União Europeia (UE). De acordo com o relatório, os acidentes em casa e durante os momentos de lazer e desportivos são os mais frequentes em todo o espaço comunitário, causando a morte de quase 110 mil pessoas por ano.
Oito em cada dez acidentes acontecem em casa, na escola e durante os momentos de lazer e desportivos de vária ordem.
Nas habitações, as casas de banho, as escadas e a cozinha são as zonas mais perigosas, "sobretudo para as crianças e idosos".
Apesar de os números serem preocupantes, Portugal é o segundo país com menos vítimas mortais provocadas por este tipo de acidentes, registando "apenas" 14 mortos por cada cem mil habitantes, muito longe da média dos 27 Estados-membros (22 mortos).

_________________________

Ainda dizem que as estradas são perigosas. Os números aí estão, morre-se muito mais em casa...

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Afinal não sou só eu que o digo...



"Detenhamo-nos, um pouco, na virtude de bem gastar, ultrapassando o vício de gastar pior e mais. Gastar mais em Saúde, o que temos feito nos últimos 15 anos a ritmo acelerado, foi muitas vezes gastar pior. E sem resultados correspondentes. Na verdade, entre 1992 e 2004, a despesa pública em saúde, no PIB, passou de 4,2% (14º lugar) para 7,2% (6º lugar, entre os 15 da então UE). Mas sem os correspondentes ganhos em saúde. Vejam-se os actuais 1200 mortos nas estradas, os 300 nos acidentes de trabalho, os 900 por VIH/SIDA, os 300 por tuberculose. Mas vejam-se, sobretudo, os quase 23 mil mortos por cancro, quantos deles tardiamente diagnosticados e inadequadamente assistidos, ou os cerca de 38 mil mortos por doença cardio-cérebro-vascular, com prevenção e orientação insuficientes. "


Intervenção do Ministro da Saúde perante as Comissões Parlamentares de Economia, Finanças e Saúde em 10.10.2006


___________________________


Afinal não sou só eu que o digo...


.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Em Portugal o pão é mais perigoso do que as estradas


"Se cada português ingerisse menos um grama de sal por dia poderiam evitar-se 2640 mortes por ano. E se a redução chegar aos quatro gramas diárias, poderiam poupar-se sete mil vidas num ano. O cálculo consta de um estudo coordenado pelo professor Jorge Polónia, da Universidade Fernando Pessoa, que coloca Portugal no topo da tabela dos países europeus em que é maior a relação entre a mortalidade por acidente vascular cerebral e a ingestão média diária de sal.
Portugal é, aliás, o único país da União Europeia em que se morre mais por acidente vascular cerebral (AVC) do que por doença coronária, com um registo superior a 170 mortes por cada 100 mil habitantes, ou seja, cerca de 17 mil óbitos por ano.Uma situação que não é fruto do acaso, mas que está relacionada com os níveis de consumo de sal em Portugal, que estão acima de doze países europeus analisados. Os portugueses ingerem, em média, 12 gramas por dia - o dobro da dose recomendada pela Organização Mundial de Saúde -, contra apenas 7,9 na Dinamarca ou dez gramas em Itália e Espanha, países com dietas aproximadas à portuguesa. Um dos principais alimentos responsáveis por essa diferença é o pão, justamente um dos mais incontornáveis na alimentação diária da população nacional."
Diário de Notícias, 14 de Novembro 2007
_____________________________
Se os 850 mortos por ano nas estradas portuguesas justificam a campanha fundamentalista em curso e os discursos catastrofistas dos políticos o que dizer do sal no pão, que mata milhares ?
Sempre que falarem em "tragédia rodoviária" e "guerra civil nas estradas" lembrem-se das carcaças...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Mortos de primeira e de segunda ?



Está a acontecer uma coisa extraordinária. Todos os dias há acidentes rodoviários relatados, muitas vezes em directo, nas televisões portuguesas.
Isso significa que 0,79 % dos óbitos que acontecem em Portugal obtêm 90 % da cobertura mediática. A quem é que isto serve ? Quem é que está por detrás desta campanha ?

Se é verdade que morreram em Portugal 850 pessoas por acidentes de viação em 2006 é também verdade que morreram por exemplo:

- 910 por suicídio
- 3.000 por erro médico
- 1.500 por cancro da próstata
- 3.500 por cancro do colon
- 36.500 por doenças do aparelho circulatório
- 2.200 por outras causas externas


Muitas destas mortes podiam ter sido prevenidas e devem ser tão lamentadas quanto aquelas que resultam de acidentes na estrada.

Será que os 106.000 falecidos que não morreram por acidente de viação são portugueses de segunda ?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Morrer da cura e não da doença

Expresso

6 de Novembro 2004





Um estudo inédito estima que em Portugal morram mais pessoas por falhas médicas do que por sida ou em acidentes nas estradas.

O cirurgião José Fragata e o engenheiro Luís Martins escreveram o livro «Erro em Medicina», que será lançado no fim do mês (Nov. 2004) pela Almedina.
ESTIMA-SE que três mil pessoas, de entre cerca de um milhão que são internadas por ano, morram nos hospitais portugueses em consequência de erros cometidos pelas equipas de profissionais de Saúde.
Estes dados - que resultam de uma extrapolação feita a partir de estatísticas internacionais - revelam um índice de mortalidade resultante do erro médico superior ao dos acidentes de viação ou da sida. Num estudo inédito em Portugal sobre Erro em Medicina, um cirurgião cardio-torácico e um engenheiro de sistemas abrem, pela primeira vez, a porta ao conhecimento de uma realidade pouco estudada em Portugal, que se mantém como um dos maiores tabus da prática médica, mas que tem lugar certo nas páginas dos jornais.
Esta semana, por exemplo, ficou a saber-se que um hospital público do Norte deu alta a um doente com quatro costelas partidas e um pulmão perfurado. Na semana passada, uma enfermeira denunciou publicamente a morte da sua mãe, depois desta esperar 12 horas nas urgências de outro hospital público, para ser observada por um cardiologista. E há cerca de um mês, os irmãos de um doente guineense - falecido inexplicavelmente durante uma cirurgia - agrediram o director clínico do hospital por não saberem do corpo do seu familiar. Todos estes casos poderiam, afinal, servir de exemplo ao trabalho desenvolvido pelo médico José Fragata e pelo engenheiro Luís Martins, no livro que em breve será lançado pela editora Almedina.

__________________________________

Convém nunca esquecer que os acidentes de viação são a causa de morte em menos de 1% dos óbitos anuais em Portugal. Isto para não cair no absurdo quando se trata da prevenção da sinistralidade.