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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Qual deve ser o objectivo da prevenção ?

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É óbvio que uma paragem de todos os veículos redundaria no nível zero de acidentes mas será que tal é socialmente viável ?

É preciso ter a noção de que, num país como o nosso, baixar a velocidade média de circulação, por hipótese, de 60 para 50 km/h corresponde a desperdiçar mais 14 milhões de dias/homem por ano dentro dos veículos que podem ser avaliados em cerca de 550 milhões de euros.

Esses milhões de dias/homem que não serão usados para trabalhar, ou estudar, ou acompanhar idosos e filhos, ou para ler, têm um custo social enorme. Os projectos que não se realizam, os médicos que não se formam, os filhos que não têm o acompanhamento devido podem, inclusivamente, custar muitas vidas humanas.

Curiosamente ninguém estuda estas consequências. Os "especialistas" sabem na ponta da língua quais as consequências de chocar contra uma parede a 80 em vez de 50 km/h mas não nos sabem dizer quais são as consequências sociais de todos andarmos mais devagar. Argumentam como se esse preço social não existisse e o problema do acidentes fosse um mero exercício de mecânica. Como se todos os desenvolvimentos tecnológicos dos transportes que criaram a nossa civilização tivessem sido meros diletantismos.

O objectivo das políticas de prevenção não deverá portanto ser "zero acidentes a qualquer custo" mas sim a máxima mobilidade dentro de níveis aceitáveis de sinistralidade. O objectivo não é levar todos a andar mais devagar mas sim criar condições para que todos andem mais depressa com menos riscos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

ACP vai propor alterações aos radares de velocidade

Jornal de Notícias
13 Setembro 2007


ACP vai propor alterações aos radares de velocidade


O presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) prevê que, até amanhã, esteja concluído o estudo que está a ser feito pelos serviços daquela entidade - em colaboração com a PSP e com a Prevenção Rodoviária Portuguesa - sobre os 21 radares de controlo de velocidade colocados pela Câmara de Lisboa em vários pontos da cidade e que, em menos de três meses, registaram mais de 90 mil infracções. O objectivo de Carlos Barbosa é entregar em breve o documento ao Executivo municipal, propondo algumas alterações para melhorar a mobilidade na capital.Desde que os radares começaram a funcionar, a 16 de Julho, Carlos Barbosa tem sido uma das vozes mais críticas desta medida, acusando a Câmara de os ter colocado aleatoriamente e sem ter ouvido as entidades que sabem do assunto. "Não houve qualquer espécie de estudo nem da parte dos serviços de viação da Câmara, nem da Direcção-Geral de Viação, nem da PSP", disse, ontem de manhã, à TSF.Dois dos radares que Carlos Barbosa considera "não terem sentido nenhum" são os das avenidas da Índia e Brasília, por entender que têm o chamado "efeito dominó", ou seja, criam filas de trânsito onde elas não existem. "Deviam ser pura e simplesmente retirados", defende, propondo que, em alternativa, sejam instalados semáforos com temporizadores que mudam para vermelho quando os veículos excedem a velocidade permitida na zona.Já em relação à Avenida Infante D. Henrique, o presidente do ACP defende que deveria ser instalado mais um radar, visto que, segundo as estatísticas, é uma das vias com mais sinistralidade em Lisboa. Em relação à velocidade máxima permitida - na maioria dos locais é de 50 quilómetros/hora, apenas na Segunda Circular e na Radial de Benfica é de 80 -, o ACP não vai ainda pronunciar-se.Ontem, Marcos Perestrello, vice-presidente da autarquia e responsável pelo pelouro da Mobilidade - com quem Carlos Barbosa já reuniu - disse que a Câmara está a estudar todos os dados relativos à colocação dos radares, mas admitiu ser cedo para fazer uma avaliação. "Não se pode precipitar uma decisão quando os radares apenas estão a trabalhar há dois meses", disse, à margem da cerimónia do aniversário da Polícia Municipal. O autarca considera que "circula-se demasiado depressa em Lisboa" e deixou uma garantia independentemente da análise de todos os estudos, "a Câmara jamais diminuirá o número de radares" nas ruas da capital.