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O Manuel João Ramos deu uma entrevista à NS' do Diário de Notícias do dia 17 de Novembro (clique nas imagens para ampliar se quer ler).
Por acaso adopta um tom moderado que só com alguma atenção revela, sob a capa, as suas posições fundamentalistas quanto à prevenção dos acidentes rodoviários.
A certa altura, num descuido, resolve qualificar o autor deste blogue como "Marialva do Volante", qualificativo que aplica igualmente a Miguel Sousa Tavares e a Alcino Cruz.
Se pertenço, como ele diz, a uma "espécie em vias de extinção" então acho que devia ser ajudado. Pelo contrário é ele, através da ACAM, que recebe subsídios do Ministério da Administração Interna.
Gostava de lembrar que eu, ao contrário de outras pessoas, não vivo dos acidentes de viação. Sempre tive uma profissão onde não precisava de andar a assustar ninguém para ganhar a minha vida.
As posições públicas que tomo, sobre a sinistralidade rodoviária, têm origem na minha consciência de cidadão.
Não me posso calar quando vejo as autoridades do meu país completamente subordinadas à chantagem psicológica do fundamentalismo.
A recente sucessão de acidentes rodoviários espectaculares está a levar a uma situação em que são as "associações de vítimas" que modelam o discurso político oficial e influenciam a legislação e as práticas repressivas sobre a generalidade dos cidadãos. Como se fosse tolerável subordinar às teses dos familiares das vítimas de crimes quer a investigação da PJ, quer os tribunais quer os legisladores do Código Penal. 
A solução para os desgostos e os traumas dos familiares das vítimas não pode ser a culpabilização e o castigo indiscriminado. Isso é o que acontece quando se escolhe as soluções de prevenção rodoviária não por serem eficazes mas por serem penosas para a generalidade dos cidadãos.
Fatalidades acontecem todos os dias e em muitas áreas. Muitas delas são simplesmente inevitáveis. A esmagadora maioria resulta de casos fortuitos. Só um pequeníssimo número resulta de comportamentos assumidamente anti-sociais. É preciso aprender a viver com estes factos.
Acho que o caminho é tentar compreender cada vez melhor aquilo que propicia ou causa os acidentes para os poder prevenir.
Em vez da dramatização e das emoções culpabilizantes devemos apelar à inteligência e ganhar os cidadãos para medidas que racionalmente sejam passíveis de justificação.
Nada será conseguido pela culpabilização geral.
Aqueles que sofreram com a perda de entes queridos, por muito respeito que mereçam, não estarão provavelmente em condições de conduzir tão complexo trabalho.
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Marialvas do Volante
Publicada por
F. Penim Redondo
às
19:32
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Etiquetas: - Diário de Notícias, * ACAM, * MAI, = Alcino Cruz, = Manuel João Ramos, = Miguel Sousa Tavares
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