quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Acidentes nas estradas fizeram mais 8 mortos em 2007

(clicar na imagem para ampliar)


Em 2007 registaram-se 858 mortos em acidentes rodoviários no continente, mais oito do que no ano anterior, mas este número pode ainda ser maior porque estima-se que 14% dos feridos hospitalizados acabem por falecer.
Estes dados são provisórios e foram esta quarta-feira apresentados numa conferência de imprensa conjunta entre a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), PSP, GNR e Autoridade Nacional de Protecção Civil, que colaboraram na campanha «Mortes na Estrada - Vamos travar este drama», que decorre desde 25 de Novembro.

Segundo dados apresentados pela ANSR, 858 pessoas morreram em 2007 devido a acidentes de viação, havendo ainda a registar 3.090 feridos graves e 42.631 feridos leves.
De acordo com os balanços provisórios apresentados pela PSP e pela GNR, a estas 858 vítimas mortais há ainda que somar pelo menos outras 30 mortes ocorridas em acidentes nos Açores e na Madeira, onde a contabilidade é da responsabilidade dos governos autónomos e não da competência da ANSR.

No entanto, o número das vítimas mortais das estradas portuguesas deverá ser muito maior, já que os números oficiais das autoridades apenas incluem as vítimas que morrem no local do acidente ou durante o transporte para o Hospital.
«A informação que temos em relação às vítimas que acabam por falecer nos hospitais não é fiável. Apenas temos um indicador, segundo um estudo que seguiu um milhão de internamentos e permitiu concluir por amostragem que 14% das vítimas de acidentes morreriam nos próximos dias», disse Paulo Marques, presidente da ANSR, admitindo que estas são vítimas de acidentes não contabilizadas nos números oficiais.
Apesar de terem sido registados mais oito mortos do que no ano passado, já foi ultrapassada «a meta que foi proposta no Plano Nacional estratégico de prevenção rodoviária, que era diminuir em 50% o número de mortos e feridos graves até 2009», segundo Paulo Marques.

«Só entre 2000 e 2007 o número de vítimas mortais diminuiu 51%», disse.
«Cada vítima mortal em sinistralidade custa cerca de 200 mil contos em moeda antiga ao Estado, segundo os dados que Portugal comunica a Bruxelas», acrescentou.
A ANSR está a preparar um novo plano estratégico, com 21 objectivos que deverão ser atingidos até 2015, que está em fase de estudo por grupos de trabalho e deverá ser aprovado até ao final do ano.
Entre as novas propostas está «colocar Portugal no top-10 dos melhores países europeus» em termos de bons resultados de prevenção rodoviária.
«É um objectivo mobilizador. Queremos passar a mensagem de que é possível estarmos entre os melhores da Europa. Na estratégia serão apresentados os meios, mas ainda falta um longo caminho a percorrer», considerou.

Quanto à campanha «Mortes na Estrada - Vamos travar este drama», iniciada a 25 de Novembro, os dados apresentados revelam que, até 01 de Janeiro, «este foi o ano em que, no período homólogo, foi mais baixo o números de vítimas mortais nas estradas, com menos 3,7%, com os feridos graves a diminuírem 12,7%».
O mês de Dezembro foi também o que registou menos vítimas desde 1998, com 63 mortos, quando em 2006 morreram 87.

De 25 de Novembro até às últimas 24 horas, na área de responsabilidade da GNR registou-se uma diminuição significativa de acidentes rodoviários, com menos 24 vítimas mortais do que no período homologo do ano passado (menos 27%).
Também na área de intervenção da PSP, normalmente junto aos grandes centros urbanos, tem-se verificado um decréscimo dos índices de sinistralidade neste período desde 2004, embora este ano com um pequeno aumento de feridos ligeiros.
Foram fiscalizados 395.048 condutores, levantados 55.367 autos, 4.088 infracções graves e 21.343 graves, as que mais contribuíram para acidentes.
A GNR referiu ainda que multou 17.246 condutores por excesso de velocidade.
Ambas as forças revelam terem detido um total de 1.533 condutores por embriaguez (condução por influência de álcool superior a 1,20 gramas por litro de sangue), 815 por falta de carta e 177 por outros motivos.
Segundo o tenente coronel Joaquim Leitão, da Autoridade Nacional protecção civil, Lisboa, Porto Aveiro e Braga foram os distritos onde se verificaram mais intervenções, nomeadamente incêndios e intervenção pré-hospitalar, durante a campanha «Viagem segura», iniciada a 22 de Dezembro e até ao primeiro dia do ano.

Diário Digital, 02.01.2008


_________________________________



Como se pode ver na figura que antecede o texto há uma correlação evidente entre o número de mortos nas estradas portuguesas e o alargamento da rede de auto-estradas. Não se consegue fazer um quadro identico que demonstre uma redução dos acidentes em resultado da instalação dos radares de controle de velocidade.
Curiosamente o aumento do número de mortos de 2006 para 2007 acontece precisamente no ano em que foram instalados os 21 polémicos radares de Lisboa.
A passagem de 850 para 858 mortos não tem qualquer significado estatístico pois pode resultar de casos fortuitos como, por exemplo, um maior número de acidentes com autocarros cheios de passageiros.
O número de feridos e o número de acidentes contimuou a diminuir como tem acontecido nos últimos anos.
A polémica sobre o verdadeiro número de mortos, levantada como é hábito por aqueles que vivem da dramatização da sinistralidade, deve também considerar que muitas "mortes na estrada" resultam de factores alheios à condução como a doença súbita do foro cardíaco, da epilepsia, ou de acidentes vasculares cerebrais (AVC).
A intenção de levar Portugal a ocupar um dos 10 primeiros lugares europeus (agora é 13º) parece meritória. Não devemos no entanto esquecer que essa é uma posição que de forma alguma corresponde ao desenvolvimento sócio-económico de Portugal em termos comparativos.
Para tal serão necessárias medidas estruturais muito pesadas ao nível da Estratégia Nacional de Prevenção Rodoviária. O anúncio do lançamento de novas auto-estradas é um bom augúrio.
Não vamos lá com base em radares...


1 comentário:

L!L!@N@ disse...

adorei mt mt mt e ajudou-me bué